Burnout não é fraqueza. E não se resolve apenas com mais resiliência.

Prevenir o burnout exige mais do que pedir às pessoas que sejam resilientes.

Alguém na equipa começa a responder de forma mais seca, chega à segunda-feira já cansado e deixa de propor ideias nas reuniões. Ao fim de umas semanas, a conclusão mais comum é que precisa de trabalhar a resiliência, de aprender a gerir melhor a pressão ou de desligar ao fim-de-semana. Às vezes é isso que ajuda, mas fica muitas vezes por fazer outra pergunta: o que, no trabalho dessa pessoa, a trouxe até aqui.

Esta semana assinala-se a International Stress Awareness Week, e o tema escolhido para 2026 fala em tornar o trabalho de novo mais humano. Um bom ponto de partida é deixar de tratar o esgotamento como sinal de que alguém não foi capaz de aguentar.

A resiliência foi pensada para picos

A resiliência é a capacidade de recuperar de períodos exigentes, como um fecho de ano, um projecto com prazo apertado ou uma mudança na equipa. Ajuda a atravessar esses momentos e a voltar ao ritmo habitual depois deles.

O que não consegue é compensar, durante meses, uma carga maior do que os recursos disponíveis, decisões tomadas sem ouvir quem as vai executar ou um esforço que ninguém reconhece. Quando isso se torna o normal, pedir mais resiliência é pedir às pessoas que se adaptem a um contexto que continua igual. E quem chega ao limite nessas condições sente muitas vezes que falhou, quando o que estava a falhar era o que tinha à sua volta.

Cuidar de quem trabalha e de como se trabalha

Aprender a regular o próprio estado continua a contar. Parar para respirar antes de uma conversa difícil, ou deixar alguns minutos entre reuniões, muda a forma como se atravessa um dia exigente. É um trabalho que vale a pena fazer com as equipas, desde que não fique sozinho, porque não mexe naquilo que torna o dia exigente. A prevenção do burnout acontece quando se olha para as duas coisas ao mesmo tempo.

Do lado da organização, há passos que podem começar logo na próxima reunião, como rever prioridades ou tornar os limites mais claros. Deixei algumas propostas concretas no artigo sobre o que as organizações podem fazer pela saúde mental no trabalho.

O que a tua equipa tem andado a aguentar

Se lideras uma equipa, olha para o último mês e repara no que tem sido resolvido à custa de esforço extra: alguém que fica até mais tarde para fechar o que não cabe no dia, uma pessoa que cobre sistematicamente uma ausência, um prazo que só se cumpre porque a equipa abdica das pausas.

Para cada situação, faz uma pergunta simples: isto foi um pico ou já passou a ser a forma normal de trabalhar? Se foi um pico, a resiliência da equipa está a fazer o que lhe compete. Se já é o normal, há uma condição de trabalho a rever, e talvez valha a pena levá-la para a próxima conversa de equipa.

Uma pergunta para levares contigo

Na tua organização, quando alguém chega ao limite, a primeira pergunta é sobre a pessoa ou sobre as condições em que trabalha?

Na Coach em Caminho, acompanho pessoas que lideram equipas e equipas de RH a olhar para a cultura e para as condições em que o trabalho acontece, para que a prevenção do burnout não fique apenas nas mãos de cada pessoa.

Se quiseres perceber por onde começar, podemos ter uma conversa exploratória de 30 minutos. E se fizer sentido trabalhar a regulação em equipa, o Workshop de Respiração Consciente para Gestão de Stress pode ser um bom ponto de partida.

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Gerir conflito: transformar tensão em equipas mais fortes