Um passo que caiba no teu dia
A agenda pode continuar igual. A forma como distribuis a tua energia é que pode precisar de mudar.
Olhas pela janela ao fim da tarde e já começa a escurecer. Ainda tens coisas para fazer, mas dás por ti a pensar que, por hoje, já chegava.
Os dias encurtaram e, no domingo, 25 de Outubro, os relógios atrasam uma hora. Para muita gente, sair do trabalho passará a significar sair já de noite.
O resto continua preenchido: o trabalho, a família, a casa, os compromissos. E é provável que continues a pedir de ti exactamente o mesmo, às mesmas horas.
Quando isso começa a custar, a tendência é insistir um pouco mais. Mais um café, mais um esforço, mais uma coisa antes de terminar. Ou então adias aquilo que gostarias de fazer por ti, à espera de uma semana com mais espaço, que raramente chega.
Quem já caminhou numa subida conhece outra possibilidade: encurtar a passada e encontrar um ritmo que consiga sustentar.
Reparar antes de ajustar
A luz natural é um dos sinais que o corpo usa para acertar o relógio interno, aquele que ajuda a organizar o sono e a vigília. Com menos luz, é comum o dia custar mais a arrancar ou a concentração ir-se embora mais cedo, e cada pessoa sente-o à sua maneira. Nada disto é falta de disciplina.
Por isso, antes de mudares alguma coisa, observa o teu dia. Quando te sentes mais disponível? Em que momentos estás a insistir, mesmo quando já pouco avanças? O que te ajuda a recuperar?
As respostas podem apontar em sentidos diferentes. Pode ser preciso reorganizar algumas tarefas, rever compromissos que foste aceitando ou, simplesmente, descansar mais.
Ajustar o passo também pode incluir uma paragem. O importante é reconheceres o que te faz falta, em vez de continuares por hábito.
Três ajustes para experimentar esta semana
1. Encurtar a passada
Há dias em que a dimensão de uma tarefa chega para te fazer adiá-la.
O relatório parece precisar de uma tarde inteira. Arrumar a casa parece ocupar o sábado todo. E o exercício só conta, na tua cabeça, se tiveres uma hora disponível.
Experimenta reduzir o que te propões fazer de cada vez: trabalhar numa parte do relatório, arrumar uma divisão, sair para uma caminhada de quinze minutos.
Escolhe um passo que caiba no dia que realmente tens.
2. Dar lugar ao que te recupera
Quando a semana aperta, é fácil retirar primeiro aquilo que te ajuda a estar bem: a pausa de almoço, uma caminhada, um momento sem pedidos de ninguém.
Olha para os próximos dias. Há algum espaço que possas guardar antes de o preencheres com mais uma obrigação?
Pode ser sair uns minutos à rua a meio do dia ou deixar uma noite com menos compromissos. Algo simples, que faça diferença para ti e que consigas repetir.
3. Escolher onde pões o teu melhor
Nem tudo precisa da mesma atenção, nem de ficar impecável.
Uma conversa importante pode merecer a hora em que estás mais disponível. Uma tarefa de rotina pode ficar para quando a energia já baixou. E haverá coisas que podem esperar, ser simplificadas ou sair da lista. Ajustar o passo passa também por deixar de gastar o mesmo em tudo.
Pergunta-te: o que merece a minha melhor energia esta semana?
Depois, vê se a tua agenda reflecte essa escolha.
Micro-prática: uma caminhada, três ritmos
Reserva cerca de dez minutos, num percurso onde possas caminhar com conforto e segurança.
Nos primeiros três minutos, caminha ao teu ritmo habitual. Sem o corrigires, repara: vais com pressa? O corpo está tenso? Estás atento ao caminho ou já estás na tarefa seguinte?
Nos três minutos seguintes, abranda. Deixa a respiração acontecer sem a forçares e repara no que existe à tua volta.
Depois, durante mais três minutos, experimenta um passo um pouco mais firme, mais rápido mas confortável para ti. Observa o que muda no corpo e na atenção.
No último minuto, regressa ao teu ritmo natural e pergunta-te:
Em qual destes ritmos me reconheço mais?
De que ajuste preciso esta semana?
A resposta pode ser abrandar. E pode ser o contrário: ganhar impulso para uma decisão que tens vindo a adiar.
Antes de terminares, escolhe uma coisa concreta: uma tarefa que vais dividir, um compromisso que vais rever ou um momento que vais reservar para ti.
Uma pergunta para levares contigo
Em que parte da tua vida estás a manter um passo que já não se adequa ao terreno?
Pensar a caminhar, com companhia
Pode ser difícil responder a esta pergunta no meio da rotina.
Numa sessão de Walk & Talk, caminhamos e conversamos sobre o que está a ocupar o teu espaço, o que queres mudar e qual pode ser o próximo passo.
Podemos fazê-lo lado a lado, em Lisboa, ou à distância, por chamada de áudio, cada um a caminhar onde estiver.
Se sentes que precisas de ajustar alguma coisa, mas ainda não sabes por onde começar, convido-te a marcar uma sessão.