Estás de férias. Já reparaste no que te está a saber bem?
Estamos no pico das férias e, mesmo assim, uma parte de nós continua a olhar para a frente.
Para os dias que ainda faltam. Para o que ainda queremos fazer. Para o regresso que começa a aproximar-se. Ou para aquilo que ficou à espera quando saímos.
É como se também o descanso se tivesse transformado num objectivo a atingir.
Queremos aproveitar bem. Fazer o que não conseguimos fazer durante o ano. Estar com as pessoas certas. Conhecer lugares. Regressar com a sensação de que as férias valeram a pena.
E, nessa vontade de aproveitar, podemos acabar por passar demasiado depressa por aquilo que já está a acontecer.
A atenção também precisa de abrandar
A agenda pode estar mais vazia, mas a atenção nem sempre abranda ao mesmo tempo. Tal como o corpo, também ela pode precisar de tempo para perceber que já pode abrandar.
Podemos estar numa conversa e já a pensar no plano seguinte. Sentir o sol na pele enquanto procuramos o telefone para tirar uma fotografia. Chegar a um lugar e começar imediatamente a decidir para onde iremos depois.
Nada disto significa que não sabemos descansar.
Significa apenas que estamos habituados a avançar.
Há uma prática da Psicologia Positiva conhecida como savouring, que podemos traduzir simplesmente por saborear.
Consiste em reparar conscientemente numa experiência positiva e permanecer nela durante um pouco mais de tempo.
Não é fingir que está tudo bem. Nem obrigarmo-nos a sentir gratidão ou felicidade.
É apenas não deixar passar tão depressa aquilo que, naquele momento, nos está a saber bem.
Não é preciso criar um momento especial
Pode ser o primeiro café do dia.
Uma conversa que não tem pressa de acabar.
A água fria nos pés. Um lugar à sombra. O silêncio da casa. A sensação de não ser necessário decidir nada nos próximos minutos.
Saborear começa quando reparamos.
Em vez de avançarmos imediatamente, podemos ficar mais alguns segundos. Notar um som, uma temperatura, uma expressão ou aquilo que o corpo está a sentir.
Sem analisar demasiado.
Sem tentar guardar o momento para mais tarde.
Apenas deixando que ele aconteça por inteiro.
Uma pequena prática
Nos próximos dias, quando alguma coisa te estiver a saber bem, experimenta:
Pára.
Não passes logo ao momento seguinte. Fica mais alguns segundos.
Repara.
Reconhece, simplesmente: “Isto está a saber-me bem.”
Saboreia.
Nota o que estás a ver, a ouvir ou a sentir no corpo. Deixa o momento chegar até ti.
Não é preciso transformar isto num exercício formal, nem procurar o momento perfeito.
É apenas uma forma de abrandar, por instantes, o impulso de seguir em frente.
Uma pergunta para levares contigo
De vez em quando, pergunta:
O que já está bom, agora, e eu ainda não parei para reparar?
A resposta não precisa de resumir o dia, as férias ou a vida.
Pode ser só um instante.
E, quando esse instante aparecer, talvez não precises de o fotografar, explicar ou repetir.
Fica lá um pouco.
Aproveita o momento.