O trabalho está a ocupar o espaço que escolheste?
É uma pergunta que me interessa mais do que tentar encontrar a fórmula certa para o tão falado work-life balance.
Agosto muda o ritmo.
Mesmo para quem continua a trabalhar, há menos trânsito, menos reuniões, respostas mais demoradas, pessoas de férias. A agenda pode não ficar vazia, mas à nossa volta sente-se alguma diferença.
E isso cria uma oportunidade interessante: olhar para o nosso próprio ritmo.
Não necessariamente para o mudar.
Só para perceber se ainda faz sentido.
Trabalhar muito não é necessariamente um problema
Há fases em que queremos dar muito ao trabalho.
Um projecto que nos entusiasma. Uma responsabilidade nova. Um negócio que estamos a construir. Uma oportunidade que queremos aproveitar.
E isso pode fazer todo o sentido.
A vida não tem de estar permanentemente dividida em partes iguais. Há momentos em que o trabalho pede mais. Noutros, será a família, a saúde, uma relação, um projecto pessoal ou o descanso.
O que merece atenção não é tanto quanto espaço o trabalho ocupa.
É perceber se continuamos a escolher esse espaço.
Porque há uma diferença entre dizer “quero mesmo investir nisto agora” e perceber, algum tempo depois, que já nem sabemos bem quando começámos a funcionar assim.
O piloto automático instala-se devagar
Raramente decidimos que o trabalho vai passar a ocupar quase todo o espaço disponível.
Vai acontecendo.
Uma mensagem ao jantar porque naquele dia era importante. Um fim-de-semana em que era mesmo preciso acabar alguma coisa. Um treino que fica para amanhã.
O que era excepção pode, aos poucos, transformar-se na forma habitual de viver.
E é aqui que tenho alguma dificuldade com a ideia de colocar trabalho e vida em lados diferentes.
A vida também acontece no trabalho. Criamos relações, aprendemos, crescemos, sentimo-nos realizados. E aquilo que acontece fora do trabalho também entra connosco numa reunião ou quando abrimos o computador.
Somos a mesma pessoa.
Por isso, faz-me mais sentido pensar em integração do que em equilíbrio.
Não se trata de dar o mesmo tempo a tudo. Trata-se de perceber se a forma como estamos a integrar trabalho, relações, família, saúde, descanso e outras dimensões importantes continua a fazer sentido para nós.
Voltar a escolher
Não é preciso transformar isto noutro exercício para fazer nas férias.
Num momento mais tranquilo, pergunta apenas:
Se pudesse voltar a escolher hoje, daria o mesmo espaço ao trabalho e às outras dimensões importantes da minha vida?
Pode surgir um sim claro.
Ou alguma hesitação.
Uma coisa que tem ficado demasiado tempo para depois. Uma fase “temporária” que se prolongou. Ou simplesmente a sensação de que aquilo que fazia sentido há alguns meses já não encaixa tão bem agora.
Não é preciso resolver tudo.
Por vezes, reparar é suficiente para começar.
Porque integrar melhor a vida não significa dar o mesmo espaço a tudo.
Significa conseguirmos, de vez em quando, sair do piloto automático e voltar a escolher.
Se esta pergunta te deixou a pensar
Podemos conversar durante 30 minutos, sem compromisso, sobre o momento em que estás, aquilo que queres preservar e o que pode estar a pedir algum ajuste.
E perceber, a partir daí, se o coaching pode fazer sentido para ti.