Reentrada sem ruído: como criar ritmo no arranque do ano
Janeiro tem um talento especial para criar a sensação de que “agora é que é”. Mais planos, mais reuniões, mais promessas, mais urgência. E, sem darmos por isso, começamos o ano com a mesma coisa que nos cansou no ano anterior: ruído.
O ponto aqui não é baixar ambição. É começar com estado interno e com cadência. Porque quando o estado está em modo alerta, a qualidade das decisões baixa, a comunicação endurece e a equipa entra em execução reactiva.
Se isto te soa familiar, talvez faça sentido experimentar uma coisa simples: antes da reunião começar a correr, criar dois minutos de ritmo.
O problema não é falta de esforço, é excesso de activação
Em muitos líderes e gestores, o arranque do ano traz uma mistura curiosa: vontade de fazer bem, pressão para entregar rápido, medo de ficar para trás, e uma agenda que não deixa espaço para pensar.
O corpo reage. Respiração mais alta, ombros tensos, frases mais curtas, menos paciência. E é aí que o ruído se instala.
Não é fraqueza. É fisiologia. A pergunta prática é esta: preferes começar o ano a decidir a partir desse estado, ou regular o suficiente para escolher melhor?
O custo do ruído no arranque do ano
O ruído tem custos silenciosos. Alguns são pessoais: dificuldade em desligar, irritação, sensação de estar sempre em falta.
Outros são de equipa e trabalho: reuniões longas que não fecham decisões, retrabalho porque o alinhamento ficou por fazer, urgência a substituir critérios, conversas difíceis adiadas até explodirem.
A verdade desconfortável é esta: quando uma equipa começa a semana em modo alerta, a semana tende a ser gerida por reacções. E reacção raramente é estratégia.
Ritmo não é velocidade, é cadência
Ritmo é a capacidade de voltar ao essencial, mesmo com pressão. É começar com intenção, mesmo quando o calendário está cheio.
Há uma alavanca pouco usada aqui: o início da reunião.
O primeiro minuto de uma reunião costuma ser ocupado por ruído. Entradas apressadas, mensagens por responder, pessoas ainda a chegar. Se fizer sentido, vale a pena testar o contrário: usar dois minutos para alinhar estado e foco.
Não é “mindfulness corporativo”. É higiene de decisão.
Micro prática CEC: PASSO para reuniões em 2 minutos
Na Coach em Caminho usamos o PASSO como ritual simples de entrada. Nesta versão, a ideia é adaptá-lo a reuniões.
Micro prática da semana
PASSO para reuniões em 2 minutos
Se fizer sentido, experimenta isto no início da próxima reunião, presencial ou online. A proposta é simples.
P de Pausa: muda de posição
Durante 60 segundos, mexe o corpo de forma leve. Levanta-te, dá alguns passos, solta ombros e pescoço. A intenção não é “fazer exercício”. É interromper o modo automático e criar presença.
A de Ar
Cinco respirações nasais com expiração mais longa do que a inspiração. Sem forçar. A ideia é baixar um nível no corpo.
S de Sinal
Uma palavra para nomear o teu estado ou o estado do grupo. Por exemplo: acelerado, disperso, pesado, focado. Sem debate, apenas reconhecimento.
S de Sentido
Uma frase para o foco da reunião. O que importa mesmo ficar mais claro no fim?
O de Orientação
Um compromisso pequeno e concreto. Uma decisão, um próximo passo, um dono, uma data. Algo que reduza ruído.
Se quiseres um desafio simples, experimenta durante uma semana e observa se muda a qualidade dos primeiros cinco minutos.
Como perceber se está a resultar
Não é preciso medir com uma folha de cálculo. Dá para observar sinais.
Sinais em ti: começas a falar com mais calma, a frase fica mais clara, há menos urgência na forma como respondes.
Sinais na equipa: menos interrupções, decisões fechadas mais cedo, menos reuniões para marcar outras reuniões, mais compromisso no seguimento durante a semana.
Perguntas para reflectir, se te fizer sentido:
O que muda na minha comunicação quando começo a reunião com um estado mais regulado?
Que decisão fica mais fácil quando o ruído baixa meio nível?
O que aconteceria se este ritual fosse parte da cultura e não apenas um truque pontual?
Se quiseres levar isto mais longe
Se estiveres a ler isto como profissional e sentires que a reentrada pede mais clareza do que velocidade, talvez faça sentido conversar.
Se lideras equipas e queres instalar rotinas simples que melhorem reuniões, decisões e energia colectiva, também.
Há dois caminhos possíveis:
Conversa individual para adaptares estas práticas ao teu contexto e desafios reais
Formato para equipas, em workshop prático ou num sprint curto, para criar cadência e reduzir ruído
Se te fizer sentido explorar como isto se aplica ao teu contexto, podemos conversar 30 minutos.
E só por curiosidade: que tipo de semana estás a viver neste arranque do ano e que reuniões gostavas que passassem a consumir menos energia?