Menos peso no dia, mais clareza na mente.

Há uma ideia que aparece muito nesta altura: agora sim vou conseguir fazer tudo.

Só que o dia continua a ter 24 horas. E tu continuas a ser uma pessoa, não um projecto infinito.

Se sentes que estás sempre a correr e mesmo assim ficas com a sensação de que falta qualquer coisa, pode não ser falta de disciplina. Pode ser só uma conta simples: estás a tentar meter mais coisas dentro do dia do que aquilo que cabe.

Na Coach em Caminho, quando há pressão, voltamos ao essencial: clareza para decidir, equilíbrio para sustentar, confiança para avançar.

E hoje o desafio é este: simplificar sem te forçar.

Primeiro, um ponto honesto

Quando tentas manter tudo, o preço costuma ser pago em três sítios: sono, humor e presença.

Isto não diz nada sobre ti. Diz só que o dia tem limites.

A pergunta não é “como faço mais?”
A pergunta útil é: o que é que eu quero mesmo que avance hoje?

Micro prática: A Mochila do Dia

Este exercício não é para preencher uma agenda. É para veres, de forma simples, o que estás a carregar e onde a mochila ficou pesada demais.

Passo 1: O dia (as tuas 24 horas)

Numa folha, desenha um círculo grande. Esse círculo representa um dia normal com 24 horas.

Dentro dele está tudo:

  • o tempo já ocupado (trabalho, escola, deslocações, tarefas)

  • e o tempo que precisas para estar bem (sono, refeições, pausas, recuperar)

Passo 2: As bolhas (os papéis que levas contigo)

Agora desenha bolhas dentro do círculo, uma por cada papel que tens ao longo do dia. Por exemplo: profissional focado, profissional em modo “mensagens e urgências”, pai/mãe, parceiro/a, gestor/a da casa, motorista, uber familiar, cuidador/a (pais, família), amigo/a, saúde, treino, finanças e burocracias, aprendizagem, tempo sozinho, descanso, sono…

Duas regras simples sobre as bolhas:

  • Tamanho: quanto tempo e peso mental esse papel ocupa num dia típico.

  • Posição: mais ao centro o que queres que seja mais importante para ti nesta fase.

Passo 3: Lê o mapa (3 sinais úteis)

Agora olha para o desenho e repara:

Sobreposição
Há bolhas por cima umas das outras? Onde se sobrepõem, costuma haver fricção. Não é “falha”. É conflito de atenção.

Aperto
Tiveste de apertar bolhas para caber tudo? Pode ser um sinal de que estás a contar com um dia “perfeito”, quando na prática o dia real tem imprevistos.

Transbordo
Alguma bolha ficou fora do círculo? Muitas vezes é sono, pausas, movimento, tempo de recuperação, ou algo que te dá suporte. E, quando isso fica de fora, é natural que o dia pese mais.

Passo 4: Uma escolha para hoje

Agora escolhe só uma. Só para hoje.

1) Alivia a mochila
O que pode ser “bom o suficiente” por 24 horas?

2) Separa duas bolhas que andam coladas
Trabalho em cima de família, família em cima de descanso, casa em cima de tudo. Qual é o limite mais pequeno que já ajuda? Uma hora. Um bloco. Um “a seguir eu volto”.

3) Põe uma coisa em pausa por 24 horas
Escolhe algo que estás a tentar manter só porque “devia” ou porque “fica mal não fazer”. Coloca em pausa por um dia. Não é desistir. É ganhar espaço para o que importa.

Exemplo simples (para dar vida ao exercício)

Imagina que, no teu mapa, a bolha do trabalho está enorme e encostada a tudo.

Um dia mais leve podia ser:

  • 1 prioridade principal no trabalho (não três)

  • 1 coisa pequena que te dá suporte (uma caminhada curta, 10 minutos ao ar livre, uma refeição com calma)

  • 1 coisa em pausa por 24 horas (o “extra” que não muda nada hoje)

Resultado: menos dispersão. Mais presença. Mais avanço real.

Resumindo…

O teu dia não tem de impressionar ninguém. Tem de ser equilibrado.

Se fizeres a prática, responde a isto:

  • Qual é a bolha que está maior do que querias?

  • O que vais aliviar, separar ou pôr em pausa nas próximas 24 horas?

Se estiveres numa fase em que o dia está sempre a transbordar e queres arrumar isto com clareza, podemos conversar. É uma sessão curta e prática para desenhar um mapa realista e sair com escolhas simples para a semana.

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