Junho costuma saber
Há uma coisa curiosa que acontece nesta altura do ano.
Não é bem cansaço.
Não é bem insatisfação.
É uma espécie de consciência que começa a aparecer, quase sem pedir licença, sobre o que está a funcionar e o que já não está tão alinhado.
Junho tem essa particularidade.
Talvez seja a proximidade do meio do ano. Talvez seja o ritmo que muda ligeiramente, mesmo quando a agenda continua cheia. Talvez seja simplesmente o facto de já termos caminhado o suficiente para ganhar alguma perspectiva sobre o caminho feito.
O que quer que seja, Junho costuma saber.
O que aparece quando começamos a reparar
Nem sempre damos atenção a estes sinais.
A tendência é seguir em frente. Acabar o que falta. Fechar assuntos. Chegar ao Verão. Descansar depois.
Mas, às vezes, aquilo que Junho mostra não quer esperar tanto tempo.
Aparece na forma como reagimos a certas conversas.
Na paciência que parece mais curta.
Na pressa com que atravessamos o dia.
Na dificuldade em distinguir o essencial do acessório.
Na menor vontade de estar disponível para toda a gente.
Nada disto precisa de ser visto como falha.
Pode ser apenas informação.
Informação sobre a tua energia.
Sobre a tua clareza.
Sobre a tua disponibilidade interna.
Sobre o ritmo que tens levado nos últimos meses.
E talvez a pergunta não seja “o que estou a fazer mal?”.
Talvez a pergunta seja outra:
O que estou a ver agora que talvez não conseguisse ver em Janeiro?
Uma pergunta para levares contigo
Não precisas de resolver nada esta semana.
Não precisas de fazer um balanço profundo, tomar grandes decisões ou transformar esta leitura em mais uma tarefa.
Por agora, talvez baste reparar.
Leva contigo uma pergunta simples nos próximos dias:
O que é que Junho me está a mostrar que eu ainda não parei para ver?
Podes levá-la numa caminhada curta.
Numa pausa entre reuniões.
No caminho para casa.
Nos últimos minutos antes de adormecer.
Não é preciso responder logo.
Às vezes, uma boa pergunta precisa de algum espaço antes de mostrar o que tem para mostrar.
Se aparecer uma palavra, escreve.
Se aparecer uma frase, guarda.
Se aparecer uma sensação, repara nela.
Se não aparecer nada, também está tudo bem.
O objectivo não é encontrar uma resposta perfeita.
É começar a escutar com mais honestidade.
A micro-prática desta semana
Durante três dias seguidos, no fim do dia, avalia de 0 a 10 quatro dimensões:
Energia.
Paciência.
Clareza.
Vontade de estar com pessoas.
Depois escreve apenas uma frase:
O que é que estes números me mostram hoje?
Sem julgamento.
Sem pressa de corrigir.
Sem transformar tudo num plano.
Só leitura.
Por agora, talvez baste isto: reparar no que Junho já te está a mostrar.
Porque, muitas vezes, antes de sabermos o que ajustar, precisamos de perceber melhor como estamos a caminhar. Na semana que vem, há espaço para isso.