Cinco minutos para te recentrares
Há sempre aquele espaço entre duas reuniões importantes, ou entre dois momentos do dia que exigem muito da nossa atenção. Por vezes são só uns minutos. A tendência mais comum é preenchê-los a ver o telemóvel, a responder a uma mensagem rápida, ou a preparar mentalmente o assunto seguinte.
Esse pequeno intervalo pode servir para outra coisa.
Não para descansar no sentido tradicional, mas para voltar ao que vem a seguir com mais margem do que se tivéssemos simplesmente continuado a correr de uma tarefa para a outra.
Recuperar não tem de significar um dia inteiro sem nada marcado, ou um fim-de-semana completamente livre. Pode ser muito mais pequeno do que isso.
Pode ser isto: cinco minutos bem usados, entre dois momentos exigentes do dia.
É uma mudança pequena. E talvez seja precisamente por isso que pode ser experimentada já hoje.
Recuperar em pequenas doses
Quando se fala em recuperação, a primeira imagem que surge é normalmente grande: férias, um fim-de-semana sem compromissos, um período longo para desligar por completo. São formas válidas e, sem dúvida, importantes.
Mas não são as únicas.
O corpo e a atenção não precisam sempre de horas inteiras para registar uma mudança de estado. Um intervalo curto, com a qualidade certa, já pode alterar a forma como entramos na actividade seguinte.
E isto abre uma possibilidade simples: a recuperação pode caber dentro de uma agenda cheia, sem exigir nenhuma alteração profunda ao calendário.
Pode ser útil pensar nisto como pequenos depósitos de energia ao longo do dia, e não apenas como um único grande depósito ao fim-de-semana. Cada intervalo bem aproveitado soma-se aos outros, e o efeito sente-se mais na forma como atravessamos o dia do que num momento isolado.
O que muda em cinco minutos
No artigo da semana passada, a respiração foi apresentada como uma forma de criar espaço dentro do próprio dia. A micro-recuperação usa o mesmo princípio, mas aplicado a um momento específico: a transição entre duas tarefas exigentes.
Afastar-se do ecrã, ficar de pé ou caminhar um pouco, e levar a atenção para a expiração são gestos simples. Ainda assim, ajudam o corpo a sair do estado de alerta constante em que tantas vezes vivemos durante o dia de trabalho.
Não é preciso fechar os olhos nem encontrar um sítio especial para isto.
Um corredor, um pequeno passeio, uma pausa junto a uma janela ou alguns passos antes de voltar à secretária podem ser suficientes.
Imagina sair de uma reunião tensa e entrar logo na seguinte sem qualquer transição. O que se leva de uma para a outra tende a ser o mesmo estado de tensão.
Com cinco minutos a meio, há outra hipótese: entrar com uma disposição diferente.
Para quem lidera equipas ou toma decisões importantes ao longo do dia, este tipo de pausa tem um efeito adicional. Pode ajudar a manter a capacidade de decidir com clareza, em vez de reagir apenas ao que surge a seguir.
Como encontrar este espaço no dia
A maior parte das agendas já tem estes intervalos. A diferença está em como são preenchidos.
Entre um telefonema e a abertura do e-mail seguinte. Entre uma reunião e outra. No caminho de uma sala para outra, ou de um edifício para outro.
Não é preciso criar tempo novo nem reorganizar o dia todo. Talvez seja apenas preciso usar de forma diferente o tempo que já existe entre dois momentos de maior exigência.
Esta prática não substitui descanso mais longo, férias, ou noites de sono suficientes. É um complemento. Uma forma simples de tornar os dias mais exigentes um pouco mais sustentáveis.
Uma prática simples para experimentar
Durante esta semana, experimenta encontrar um momento entre dois blocos exigentes do teu dia.
Afasta-te do ecrã, mesmo que seja apenas por alguns passos.
Fica de pé ou caminha, sem destino definido.
Leva a atenção para a expiração, deixando-a ser um pouco mais longa do que o habitual.
Mantém isto durante cinco minutos, sem outro objectivo além de estar presente nesse intervalo.
No fim, repara apenas:
Como volto agora ao que vem a seguir?
Talvez exista hoje, na tua agenda, um pequeno espaço de cinco minutos que possa ser usado desta forma.
Se fizer sentido no contexto da tua rotina, há sempre espaço para uma conversa exploratória.
Às vezes, recuperar começa assim.
Não com uma grande pausa.
Com cinco minutos para voltares a ti.