Um ano de Coach em Caminho: o que aprendi com quem caminhou comigo

Um ano depois, o caminho continua. Agora com mais experiência, mais perguntas e mais gente.

Há um ano, a Coach em Caminho ganhou uma casa.

No dia 15 de Setembro de 2025, lancei o site e publiquei os primeiros textos de um projecto que, até aí, tinha vivido sobretudo em ideias, conversas, páginas de caderno e perguntas sobre o que queria construir.

Sabia que queria criar um espaço ligado à clareza, ao equilíbrio e à confiança.

Acreditava também que nem todas as conversas precisavam de acontecer sentados e frente a frente. Caminhar lado a lado poderia aliviar a pressão de encontrar respostas imediatas, reduzir a tensão e algum do desconforto que certas conversas trazem e ajudar a olhar para a mesma situação a partir de outras perspectivas.

Por vezes, quando o corpo se põe em movimento, o pensamento também encontra espaço para avançar. Como se sair da cadeira nos ajudasse a deixar de estarmos presos aos mesmos pensamentos.

Foi a partir desta convicção que o walk & talk, a respiração e o contacto com o exterior passaram a fazer parte da forma como queria acompanhar quem caminhava comigo.

O que não sabia era quem iria chegar, que desafios traria e tudo o que eu próprio iria aprender ao acompanhar esses caminhos.

Um ano depois, há artigos publicados, newsletters enviadas, caminhadas feitas, conversas em empresas, processos individuais, sessões sentadas e muitas perguntas que continuaram a trabalhar depois de cada encontro.

Ao olhar para este primeiro ano, há algumas aprendizagens que se tornaram mais visíveis.

Nem sempre precisamos de mais respostas

Quem chega a um processo de coaching não chega de mãos vazias.

Traz experiência, conhecimento, tentativas anteriores, dúvidas e respostas que, por vezes, ainda não conseguiu organizar ou transformar em escolhas concretas.

O desafio nem sempre está em saber mais.

Pode estar em parar o tempo suficiente para distinguir o que é importante do que apenas parece urgente. Em olhar para uma situação a partir de outro lugar. Em reconhecer um padrão que se repete. Ou em transformar uma intenção genérica num próximo passo possível.

Acompanhar é criar as condições para que a pessoa consiga ouvir melhor as suas próprias respostas, questioná-las quando necessário e traduzi-las numa escolha que faça sentido.

Carregar mais não significa liderar melhor

Este foi um dos temas que mais se repetiu. Pessoas que assumem responsabilidade, que querem garantir a qualidade e que estão habituadas a fazer acontecer acabam, muitas vezes, a carregar demasiado. Resolvem antes de perguntar, intervêm antes de a equipa ter espaço para pensar, delegam a tarefa mas continuam a guardar a responsabilidade dentro da sua própria mochila.

Nem sempre o fazem por falta de confiança nas pessoas. Muitas vezes, fazem-no porque foi assim que aprenderam a ser reconhecidas: estando disponíveis, antecipando problemas e resolvendo depressa.

Ao longo destes processos, fui confirmando que delegar não é desaparecer, nem é simplesmente entregar trabalho. É dar contexto, clarificar o resultado esperado, combinar o espaço de autonomia e continuar presente nos momentos certos.

Por vezes, o passo mais difícil de uma liderança não é avançar. É recuar o suficiente para permitir que outra pessoa avance.

Entre reagir e escolher existe um pequeno espaço

Sob pressão, todos temos respostas mais automáticas. Uns assumem imediatamente o controlo, outros endurecem o tom, há quem evite a conversa por completo ou adie uma decisão até sentir que tem todas as garantias possíveis.

E quase todos nós, em algum momento, transformamos uma interpretação num facto antes sequer de confirmarmos o que realmente aconteceu.

O trabalho não passa por eliminar estas reacções. Passa por reconhecê-las mais cedo, numa pausa curta, numa respiração, numa pergunta antes de responder, na distinção simples entre aquilo que aconteceu e a história que começámos a construir sobre o que aconteceu.

São movimentos pequenos, mas podem mudar o rumo de uma conversa, de uma decisão ou de uma relação.

A mudança nem sempre começa numa grande descoberta. Muitas vezes, começa em dois ou três segundos durante os quais conseguimos interromper o piloto automático e escolher como queremos estar.

A mudança precisa de se tornar visível

“Quero ser um líder melhor.”, “Quero confiar mais na minha equipa.”, “Quero ter mais equilíbrio.”

São intenções importantes, mas difíceis de acompanhar enquanto permanecerem apenas nesse nível.

Uma intenção só ganha corpo quando se traduz em algo que se pode ver: o que essa pessoa faria de forma diferente na próxima reunião, que decisão conseguiria tomar sem procurar uma validação desnecessária, que conversa teria mais cedo em vez de a adiar mais uma semana.

Ao longo deste ano, fui dando cada vez mais importância a comportamentos concretos e observáveis, em vez de propósitos vagos. Perguntar antes de resolver. Partilhar uma ideia ainda em construção. Fechar uma frente antes de abrir outra.

Parecem passos pequenos, quase discretos, mas são eles que tornam a mudança reconhecível, tanto para quem a pratica como para quem a acompanha.

O caminho continua entre as sessões

Uma boa conversa pode trazer clareza, mas a transformação acontece quando essa clareza encontra o dia a dia.

Acontece na reunião da manhã seguinte, no email que se decide não enviar de imediato, na pergunta feita a um colaborador, na conversa que deixou de ser adiada, na forma como se regressa a uma situação depois de algo não ter corrido como esperado.

Foi por isso que os pequenos compromissos, os check-ins entre sessões e os documentos de continuidade se tornaram parte importante da forma como trabalho. Não para criar mais tarefas, mas para ajudar cada pessoa a manter por perto aquilo que escolheu quando regressa ao ritmo habitual.

É entre sessões que se percebe se aquilo que foi trabalhado começa realmente a encontrar lugar no dia a dia.

Quem acompanha também caminha

Este primeiro ano mostrou-me que também eu fui mudando.

Cada pessoa trouxe as suas perguntas, a sua forma de olhar para o que estava a viver e o seu próprio ritmo para decidir e avançar. Ao acompanhá-las, fui aprendendo a escutar melhor, a simplificar recursos, a deixar cair perguntas que tinha preparado e a confiar mais no que estava a acontecer naquele momento.

Também eu fui ajustando o passo.

Hoje tenho mais clareza sobre as pessoas que posso ajudar, os desafios em que consigo acrescentar valor e a forma como quero fazê-lo. Mas mantenho a mesma intenção que estava na origem do projecto: criar espaço para que cada pessoa consiga caminhar com mais clareza, equilíbrio e confiança.

Um ano depois

A Coach em Caminho começou com um site. Mas ganhou vida nas pessoas que leram um artigo, responderam a uma newsletter, recomendaram o meu trabalho, confiaram numa conversa ou aceitaram caminhar comigo durante uma parte do seu percurso.

A todas essas pessoas, muito obrigado.

O caminho continua, agora com mais experiência, mais perguntas e mais gente.

E gostava também de te ouvir: houve algum artigo, pergunta ou prática da Coach em Caminho que tenha ficado contigo? E sobre que temas gostarias de continuar a caminhar no próximo ano?

Se quiseres partilhar comigo, escreve-me por email. E diz-me também sobre que temas gostarias de continuar a caminhar no próximo ano.

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